out 312019
 

O perfil dos queridos (mais desconfiado que cego que tem amante!)

Muitos ouvintes fizeram, ao longo desse tempo, o perfil de cada um. É claro que nenhum de nós é exatamente o que mostra no programa. Todas as características são acentuadas pela imaginação, que corre solta e pelo folclore que cada um resolve incentivar. Obviamente nem tudo é verdade, mas como diz o ditado, onde há fumaça há fogo e tirando os excessos notaremos uma certa realidade das personas. Então vamos traçar o perfil de cada um, dentro do espírito do programa e segundo observações dos nossos ouvintes.

Mauro Borba: Um dia uma ouvinte se referiu a mim como Paulo Borba. Alguém falou Paulinho e bastou. Durante meses eu fui o Paulinho. Até fora da rádio me chamavam de Paulinho. (Na época ainda não se usava a expressão “Paulinho olha a tosse!” Esta veio depois). Depois alguém se referiu a mim como o “centrado” do programa e pronto. Virou lei. Centrado com ascendente em Touro. Daí para “Touro Centrado” foi apenas um passo. E como um bom centrado, evidentemente tenho que, às vezes, ficar em cima do muro, porque, pior do que isso, é o cara que salta para os dois lados do muro!

Alexandre Fetter. O Aleca (apelido de infância dado por Charles Master e Flávio Basso que eram vizinhos no Bonfim). Vera Fisher como era chamado por seus colegas no tempo de RBS (segundo o Arthur, pelo estrelismo e não pela beleza). Tem um carro movido a bumbo (e turbo) e não sabe onde fica o bar Ocidente. Em casa tem todas as engenhocas eletro/eletrônicas, inclusive descaroçador de azeitonas. Não vai a lugar nenhum, mesmo quando se compromete, mas sempre “passa pela frente!” Quando fizemos o Cafezinho em Gramado, apareceu por lá a irmã do Fetter, Andréa. Perguntamos a ela se ele sempre foi assim, ligado em carro, som, equipamentos, ao que ela respondeu, de vereda, “sim, ele sempre foi magal”! Creio que não precisa dizer mais nada.

Arthur de Faria. Gêênio! Passou a ser chamado assim em função de seus comentários sobre música e a polêmica que os mesmos geravam entre os ouvintes. Tudo começou quando foi contada no programa uma estória sobre o João Gilberto (ídolo maior do Arthur). Num show do João Gilberto no Rio de janeiro, na platéia, estrêlas da música brasileira faziam reverência ao grande nome da Bossa Nova. Entre eles Caetano Veloso que suspirava a cada movimento de João: “Gêeenio!”. Por suas defesas intransigentes à obra de João Gilberto, Arthur virou “o gênio”. Mas o gênio também era “o pichador” graças a um seu amigo dos tempos da faculdade de jornalismo na PUC, que nos contou que o gênio era dado a esta prática nos murais da faculdade. Arthur num determinado período também foi o Jamanta, personagem de uma novela da Globo. Também chamado de Pingüim, (do Batman). Não entende nada de futebol e privatização e algumas outras coisas, como se nota diariamente. Criou os personagens “seu Valberto” e a “tecla SAP” muito apreciada pelos ouvintes.

Cagê. O nosso gremista mais doente. Daqueles que vai para o bar do Iúra com a turma e fica bebendo cerveja até a hora do jogo, o que continua fazendo durante e depois do mesmo. Sai do almoço com o palito na boca e assim aparece para fazer o programa. Apontado como machista, é o que recebe mais manifestações de apreço do público feminino. Será que é por isto? Na vinheta das notícias, desenvolveu um som parecido com uma galinha. Também durante um tempo se notabilizou por interpretar a canção da “véia a fiar!” Adora a Wilza Carla e a Vera Fischer, mas gosta mais ainda da Betty Faria. O lema do Cagê: “é velha, mas é boa!”

Maurício Amaral. É o produtor nota…depende da semana. É um gremista um pouco mais calmo. É o mais sério, rebelde e alternativo do programa. Quando engrena num discurso é difícil faze-lo parar, assim como, é difícil convencê-lo de uma idéia contrária a sua. Trabalha sempre com as notícias (Baco Baco…) talvez, fruto de sua vivência em torno de dez anos no curso na Fabico, a Comunicação da Ufrgs. Pêlo duro, se orgulha de suas raízes missioneiras, lá de São Luiz Gonzaga.

Carlos Couto. O coroa locão. É o mais velho (em idade) de todos nós. Também é o mais “moda fashion”. No jeito de vestir e freqüentar. O Couto vai a tudo que é lugar. Bares, inaugurações, coquetéis…Começou com a risada (a mais gostosa, segundo várias ouvintes) e depois passou a fazer parte integrante do Programa. Não foi o DJ da Santa Ceia porque este foi o Claudinho Pereira, mas é da mesma época.

Assim como o Cagê não é tão machista, nem o Artur tão esquerdista, nem o Maurício tão rebelde, nem o Fetter tão magal e este que vos escreve nem tão centrado. O que ocorre é que as características de cada um dentro do programa são exageradas conforme a conveniência ou melhor, conivência dos ouvintes, que pegam determinada situação e a ela dão continuidade, como quem conta um conto aumenta um ponto.


Caricatura da equipe do programa Cafezinho (final dos anos 1990) Da esquerda para a direita, Maurício Amaral, Alexandre Fetter, Mauro Borba, Cagê, Arthur de Faria e Carlos Couto. Fonte: BORBA, Mauro. Prezados ouvintes: histórias do rádio e do Pop Rock. Da criação da Ipanema ao Cafezinho. 2.ed. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2001. p. 135.

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