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Vida de Keith Richards

Vida de Keith Richards

03 de Fevereiro de 2011 | Tag: Richards

 Sobre a vida de Richards

       Não costumo usar palavrões quando escrevo, mas tratando-se da biografia de Keith Richards não tem outra palavra. O livro é foda! Já seria por ser a visão dele da história dos Rolling Stones, que não é pouca coisa. Já seria pelo fato dele ser o “cara” musicalmente da banda como eu já imaginava e que Mick Jaegger era a cara e a voz e tentou ser o dono da banda, como já se sabia. Mas o livro é sensacional também pelo relato de um cara que se expõe nas suas loucuras, nas suas mazelas e nas suas fraquezas e vitórias.  Um sujeito que enfrentou o mundo, as dificuldades da infância, as seqüelas do vício, as viagens egocêntricas/intrínsecas do mundo do rock e do show business. Nesse caso, penso que a experiência pessoal conta mais do que qualquer outra coisa. Eu sempre ouvi mais Beatles do que Stones e sempre os Beatles me tocaram mais nas questões afetivas e até musicais. As canções dos Beatles são mais densas, reflexivas, românticas. Já ouvia no rádio e isso na infância fez uma grande diferença. Os Stones fui conhecer mais adiante, já em Porto Alegre, beirando os meus 20 anos. Claro que sabia deles. Esse tipo de coisa acaba chegando pelo ar, pelo inconsciente. Mas o fato é que quando parei pra ouvir os Stones eu já era quase um beatlemaníaco. Lembro que em 1981 alguém me disse: vamos na casa da Xala assistir um vídeo dos Stones. Era a Xala Felipe, atriz do grupo Vende-se sonhos e minha colega de faculdade. Era o vídeo (VHS pirata evidentemente) do show “Still Life”, a tour americana deles que abre com “Take the a train” do Duke Ellington e sua orchestra e os Stones entram no palco tocando “Under my thumb” numa performance arrepiante. Até porque a música gravada originalmente ficava a muito a dever em qualidade de som e performance da banda pra essa ao vivo. Ok. Estávamos diante algo grandioso. E detalhe, nesse show já tinha “Start me up”, que só seria lançada em disco mais adiante no Tatoo you. Então o rock do Stones me pegou ali e constato que sempre rodei mais Stones na rádio do que Beatles. Embora ouvisse mais Beatles em casa. Vamos ao que mais chamou a atenção no livro. A revelação do que estava por trás dos famosos escândalos e das brigas com Mick. Muita coisa era verdade e muita coisa não era. A vida acidentada do Keith Richards, várias coisas que aconteciam com ele e que entravam na conta da loucura e da droga e nem tudo era assim. Ele vai esclarecendo tudo e contando os detalhes. O relacionamento dele com os músicos que ele admirava e que aos poucos ele dava um jeito de ir se aproximando. A maneira como ele usa a fama de ser um dos Stones para trazer para o palco músicos que ele achava muito bons ou que haviam inspirado sua infância e adolescência. Os relatos dele a respeito das drogas é impressionante, poderiam servir de um manual sobre a relação entre um viciado, um junkie e as drogas e como se livrar delas. Chama a atenção também o fato de que, mesmo tendo utilizado as drogas da forma como se ouvia falar que ele usava, o vício da heroína que é um negócio punk de verdade, Keith Richards não perde o foco na banda e do trabalho e como ele mesmo diz, nunca faltava aos compromissos de gravação, ensaios e shows e era um dos que mais cobrava o profissionalismo musical da banda. A revelação de que ele sendo um ícone do rock mundial, se sentia um merda pois ficava na mão do traficante, ou seja, na mão da droga, é de se pensar! E nas crises de abstinência em que ele estragava os dedos pois ficava literalmente subindo pelas paredes sem a heroína ele pensava: “ eu podia estar curtindo o fato de ser um Rolling Stone, um roqueiro rico e famoso e tô aqui penando por causa do “veneno” que é a maneira como se refere à droga. E o recado que fica sobre a heroína. Na dúvida, não experimente! Se você não quer passar pelo que ele conta ali. Deixa quieto.   E as curiosidades musicais. Saber que eles detestaram quando “As tears go by” estourou com a Marianne Faithfull , a ex senhora Mick Jagger, por que era uma baladinha e eles queriam ser conhecidos como banda de blues. Que “Start me up”, uma das músicas mais conhecidas do grande público ficou três anos na geladeira até ser incluída no disco e que era incialmente um reggae e que pouca gente conseguia tocar como foi gravada porque o Keith Richards usava uma afinação diferente com apenas cinco cordas da guitarra e afinação aberta em sol, seja lá o que isso signifique. E as curiosidades dos relacionamentos... A Anita Pallemberg foi casada com o Brian Jones, depois casou com Keith Richards com quem teve filhos e netos e teve um caso com Mick Jagger. E que agora anda de bicicleta por Londres. Por sua vez, Keith teve um affair com a Marianne que era casada com Mick. É amigo!!! É rock and roll! E a história sensacional do soco que o Charlie Watts deu no Mick Jaegger porque este o chamou de “meu baterista” dizendo, “nunca mais me chame de meu baterista” do alto do seu terno impecável... tá tudo ali. A história dos Stones, a história do rock no livro “Vida” de Keith Richards e James Fox - editora Globo. Manual de sobrevivência na selva! E ainda é divertido. As brigas do Keith com Mick quando este último teve surtos de querer mandar na banda, partiu pra carreira solo e se deu mal. Pra mim outra grande revelação, uma das músicas que eu mais toquei nesses 30 anos de hora do rush foi “Beast of burden” dos Stones. Porque sempre gostei e sempre senti uma grande reciprocidade dos ouvintes com ela. E nunca soube que ela esteve entre as 10 mais das paradas dos Stones junto com Miss You...é uma bela canção, as guitarras duelando em timbres sensacionais... fui ouvir de novo. E coloquei também o Sticky Fingers pra tocar.. e depois de ler o livro, foi como ouvir pela primeira vez. Isso é apenas rock’n’roll, mas eu gosto! Agora vou pegar o livro do Ozzy.

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